Teresa Viana (Port.)

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Teresa Viana faz parte de uma geração de pintoras  e pintores brasileiros que surgiram após o fim da ditadura, no final da década de 1980. Teresa estudou no Rio de Janeiro na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e mudou-se para São Paulo em 1992.  Em 2001, Teresa recebeu uma bolsa-trabalho da Fundação Pollock-Krasner (NY). Por mais de vinte anos ela tem trabalhado em grande escala, principalmente com a pintura encáustica e em óleo sobre tela, explorando os limites entre abstração e figuração. Em seu estúdio na Vila Madalena, São Paulo, ela cria a base de sua tinta com encáustica (cera fria) e óleo, uma técnica que ela adaptou às suas próprias necessidades: um processo demorado que – sem negar – difere do legado gestual da pintura abstrata expressionista Norte-americana na sua versão masculina.

Teresa cria camadas de tinta indistinguíveis construídas por dezenas de volumes de cera colorida que se lançam para fora do espaço da tela, escapando da bidimensionalidade. Muitas vezes, Teresa volta ao trabalho para remover a cera, criando novas texturas, em um processo de simultânea acumulação e subtração. A complexidade do resultado final esconde a lentidão deste processo: as suas grandes pinturas são, por vezes, de um colorido que prende o olhar ao mesmo tempo que procuram abraçar o corpo do espectador. Uma entusiasta da dança moderna, Teresa combina o lento “fazer” da encaustica aos movimentos soltos de uma bailarina contemporânea.

Teresa também possui uma prática em desenho e aquarela: uma abordagem figurativa, mais fluida e mais rápida que, no entanto, está em diálogo com a paciência que suas pinturas emitem. Mais recentemente, ela adotou processos digitais para digerir a cultura dos espaços virtuais, relacionando essa experiência com a tridimensionalidade de suas obras tradicionais. A prática de Teresa Viana caracteriza-se, assim, por uma persistência material: enquanto a superfície da tela recebe a complexidade e a velocidade das formas, cores e interações de planos, sob essas camadas de visualidade Teresa dança, pacientemente, moldando a cera, misturando as cores, adicionando, multiplicando, e depois subtraindo.

Por Tatiane Santa Rosa
Visite o site do artista: http://www.teresaviana.com.br/